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NÚCLEO BERNARDELLI

O Núcleo Bernardelli era um reduto de jovens que queriam liberdade de pesquisa e uma reformulação do ensino artístico. O nome – sugerido por J. Magno e Adolfo Custódio – se deve aos irmãos Henrique e Rodolfo Bernardelli, importantes artistas e professores da Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro (ENBA) que exigiram a renovação do ensino das artes, pois os acontecimentos de 1922 em São Paulo não repercutiram no Rio por conta da força acadêmica no  Estado.

 

A ideia começou a ser ventilada em 1930 no Café Chic, no Centro do Rio, mas somente em 12 de junho de 1931, ele foi oficialmente fundado. Teve como sede o Studio Nicolas, do fotógrafo Nicolas Alagemovits, amigo boêmio e milionário dos artistas, até se estabelecerem no porão da ENBA em 15 de novembro do mesmo ano.

O primeiro presidente do Núcleo foi Edson Motta. No ato inaugural, disse:

 

“Nosso programa é servir às artes, servindo aos estudiosos. [...] Estamos convencidos de que o que produz resultados é a continuidade do esforço, a ação criteriosa e firme, a bem combinada liga de energia e boa vontade. [...] O Núcleo Bernardelli só tem uma finalidade: estudar.”

 

Modelo vivo todas as noites e aulas de pintura ao ar livre aos domingos mostravam a preocupação dominante do Núcleo: criar um local de encontro para jovens interessados no aperfeiçoamento técnico. Em nenhum momento pretendeu representar a classe de forma polêmica ou política, mas unicamente democratizar e renovar o ensino, abrindo novos espaços de exposição. Com isso, promoveu a primeira abertura para uma nova presença dos artistas plásticos no contexto sócio-cultural carioca da época, ficando conhecidos na História da Arte brasileira como uma ala moderada do Modernismo.

A grande maioria dos membros do Núcleo era composta por artistas pobres que precisavam trabalhar durante o dia para pintar à noite e nos fins de semana. Muitos dos integrantes do grupo alimentavam-se com uma única refeição diária feita numa casa de pasto, o Restaurante Reis, constituída por um prato de sopa, farinha e pão por 600 réis.

 

Dentre os principais participantes, estão: Ado Malagoli, Bruno Lechowski, Bustamante Sá, Edson Motta, Expedito Camargo Freire, Joaquim Tenreiro, José Gomez Correia, José Pancetti, Manoel Santiago, Milton Dacosta, Quirino Campofiorito, Yoshia Takaoka e Yuji Tamaki.

 

Em 1935 o Núcleo foi expulso daqueles porões e seus integrantes passaram a reunir-se esporadicamente, conseguindo às vezes uma reativação das atividades em alguma outra sede. Os membros mais conhecidos foram ocupando cargos nas escolas de arte e percorreram o país e o mundo com os prêmios que obtinham nos Salões oficiais. Nesta inconstância de locais e de membros findou-se em 1942.

(ver MORAIS, F. Núcleo Bernardelli: arte brasileira nos anos 30 e 40. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1982.)

Posse da Diretoria em 1941

Posse da Diretoria em 1941

Reunião no Café Gaúcho em 1940

Reunião no Café Gaúcho em 1940

Busto de Ado Malagoli

Busto de Ado Malagoli

Máscara

Máscara

Busto de Nina

Busto de Nina

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